Daniela Melo, 30 anos, mestrado em Educação Pré-escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico, ilha de São Miguel.

O gosto pelo artesanato vem desde tenra idade. Desde pequenina tive a oportunidade de acompanhar as “costuras” da minha avó e a realização de peças em crochê. Lembro-me que, sempre que minha avó costurava, pedia-lhe retalhos de tecido, agulha e linha para fazer as roupas para as minhas bonecas, era uma das minhas brincadeiras preferidas da infância. A minha mãe, como educadora de infância, também me desenvolveu o gosto pelas artes manuais, desde a pintura, o desenho, os enfiamentos, as brincadeiras em plasticina…

Ao longo do meu crescimento pessoal, o meu hobby era realizar trabalhos manuais, sem me restringir a um tipo de objeto, ou a um tipo de material. Comecei, primeiramente, por criar as minhas próprias bijuterias, ímans para o frigorífico, brinquedos pequeninos, através da massa FIMO, uma massa que é idêntica a plasticina e que endurece ao colocarmos no forno por um certo período de tempo. Posteriormente, na altura em que minha mãe se entretia a realizar toalhas em ponto cruz, também quis aprender e realizava colchas com desenhos em tamanho miniatura para as bonecas, individuais lá para casa… A partir dos meus 15 anos descobri o feltro, pois a minha mãe tinha lá em casa e usava-o para realizar trabalhos para as crianças da escola. Nesse momento, pensei em criar algo através desse material e comecei a fazer bolsas, porta-chaves, carteiras para mim, pois achei que o material se adequava perfeitamente às peças que desejaria. Foi aí que aprendi o “ponto caseado”, o ponto mais usado nas peças em feltro. Considerando-me uma pessoa impaciente naquela altura, aborrecia-me rapidamente com as costuras, pois demorava imenso tempo a concretizar uma peça. No entanto, não deixei de fazer trabalhos manuais e entretia-me a pintar telas, a desenhar.

À volta dos meus 20 anos descobri a arte da espuma vinílica acetinada (E.V.A) e as potencialidades da mesma e, mal me apercebi da existência de workshops para aprender a trabalhar com este material, decidi inscrever-me num workshop, no qual aprendi a realizar uma bailarina, como também algumas das suas técnicas. Com a entrada para a Tuna com Elas da Universidade dos Açores, desafiaram-me a realizar os prémios  para dar às tunas que mostravam mais aptidão por certos registos, desde melhor pandeireta, melhor estandarte, melhor solista, entre outros,  aquando do festival que a tuna organiza todos os anos, o Ínsula. Desde aí que tenho vindo a realizar os prémios para este festival. Com o passar dos anos, fui sempre mostrando o meu trabalho nas redes sociais, de uma forma informal, através das quais recebia algumas encomendas de amigos e pessoas conhecidas.

Apesar de ainda não trabalhar na área, consegui arranjar emprego numa associação de animação sociocultural. Além de realizarmos atividades de expressão artística com crianças, também construímos material cénico para peças de teatro para crianças, fantoches, cujo material mais utilizado é o feltro. Foi neste momento que o amor por este material surgiu. Comecei a dedicar-me com o coração em cada ponto caseado, a olhar para a peça a três dimensões e esteticamente conseguir colocar pormenores, detalhes, tentando sempre aperfeiçoar cada vez mais e mais.

2020. Ano de mudanças em todos os sentidos, e, atravessando a pandemia, decidi criar uma página na rede social Instagram em abril, DaMinh’arte, para aglomerar todas as fotografias dos trabalhos manuais que tinha feito ao longo da minha vida, sem pensar no que isto poderia proporcionar. Com a quarentena, aproveitei o tempo disponível e comecei a criar peças para a página, assim como também comecei a receber pedidos de encomendas de amigos. Ao fim e ao cabo fazia as peças com gosto, com o coração, e já não sentia aquele aborrecimento que sentia quando era mais nova. E tudo foi crescendo, o número de seguidores na página, o número de fotografias, o número de encomendas… já não olhava para a página como um entretenimento de postar fotografias, mas sim a construção de uma pequena “empresa”, um pequeno “negócio”.

Com o crescimento da página no Instagram, senti a necessidade de criar uma página no Facebook, pois assim também conseguiria alcançar mais visualizações por parte de outros utilizadores.

Ainda tenho muito a aprender com as redes sociais, como cativar o público, como registar boas fotografias, como também e essencialmente aprender mais técnicas para trabalhar o feltro.

Porquê comprar peças artesanais?

Uma peça artesanal não é um simples artefacto criado por uma pessoa. Por trás dessa peça existe o planeamento de materiais necessários, o desenho de moldes, um estudo e tentativas de chegar à desejada peça, dedicação do artesão e tempo disponibilizado à sua criação.

Ao comprar uma peça artesanal, está a valorizar o trabalho feito à mão, trabalho que é feito com o coração e imaginação, e a valorizar o tempo que o artesão disponibiliza para a realização do artefacto. Cada trabalho é pensado, inclusive, a alegria do cliente ou de quem irá receber. Está a comprar uma peça personalizada, com as ideias e pormenores que pediu, e que não existe em algum lado, está a comprar algo exclusivo.

Por isso, não deixe de comprar uma peça artesanal, artesanato é arte, é único e é sempre feito com amor. Artesanato é terapia, é inspiração.

Se quiserem acompanhar o meu trabalho sigam-me no Instagram @daminharte e no Facebook DaMinh’arte.

Beijos e abraços artesanais,

Daniela Melo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.