Ao contrário de algumas patologias, as doenças transmitidas por alimentos podem afectar qualquer pessoa. Qualquer um pode sofrer uma intoxicação alimentar e de forma relativamente fácil. Algumas pessoas são mais propensas a desenvolver uma intoxicação alimentar do que outras.

Certos grupos de pessoas são naturalmente menos resistentes a doenças de origem alimentar devido a um sistema imunitário mais fraco, tais como: idosos, pessoas doentes, bebés e crianças pequenas e grávidas.

Sintomas das doenças de origem alimentar

Embora existam várias doenças alimentares que se podem contrair, todas elas mostram relativamente os mesmos sintomas. As doenças de origem alimentar podem apresentar os seguintes sintomas:

  • Diarreia;
  • Vómitos;
  • Náuseas;
  • Cólicas abdominais;
  • Febre.

O número dos sintomas presentes e a sua severidade depende do tipo de patologia alimentar.

Tratamento da intoxicação alimentar

Embora as infecções alimentares sejam bastante comuns, felizmente, o tratamento pode ser bastante simples. A intoxicação alimentar geralmente pode ser tratada mesmo em casa, sem a necessidade de intervenção Médica. Ao tratar uma doença de origem alimentar é importante restabelecer os seus fluidos bebendo muita água. Evitar a desidratação é a chave para a recuperação. Também pode tratar a intoxicação alimentar a descansar tanto quanto possível e comer, se e quando se sentir preparado. Mas fique-se primeiro por refeições pequenas, leves, sem gordura. Hidratos de carbono leves, como torradas, bolachas e arroz são boas opções e evitar bebidas alcoólicas, com cafeína e gaseificadas, bem como alimentos gordurosos e condimentados, todos estes farão com que se sinta pior.

Se aperceber que não está a recuperar após alguns dias, ou se mostrar sinais graves de uma patologia alimentar, procure ajuda médica profissional.

Prevenir doenças de origem alimentar

Prevenir doenças transmitidas por alimentos é relativamente simples. No sentido de evitar a contaminação dos alimentos por agentes patogénicos prejudiciais, siga sempre as orientações de segurança alimentar e as boas práticas básicas de higiene alimentar.

Segurança alimentar

A segurança alimentar é uma disciplina científica que assegura a prevenção de doenças transmitidas por alimentos durante a manipulação, preparação e armazenamento dos alimentos. Isto inclui uma série de rotinas de higiene alimentar que devem ser respeitadas, por forma a evitar os riscos de saúde potencialmente graves que as doenças de origem alimentar podem causar.

Contaminação Microbiológica Cruzada

A contaminação cruzada é uma transferência de micróbios patogénicos (causadores de doenças) de um alimento contaminado (normalmente cru) para outro alimento, directamente ou indirectamente. Esta é a maior causa de intoxicações alimentares, mas é de fácil prevenção.

Medidas simples que podem prevenirem a contaminação cruzada, tais como:

– Lavar sempre as mãos antes de preparar os alimentos e depois de manusear os alimentos crus;

– Os alimentos crus devem ser armazenados separadamente dos alimentos prontos a comer;

– Nunca usar os mesmos utensílios para preparar alimentos crus e cozinhados;

– As superfícies de trabalho da cozinha devem ser limpas regularmente, com água quente e detergente. Posteriormente devem ser secos rapidamente para prevenir a multiplicação de quaisquer microrganismos presentes.

Estes requisitos constituem elementos-chave para garantir a produção segura de alimentos, evitando a contaminação por riscos biológicos, químicos ou físicos.

Descongelar os Produtos Alimentares

Boas práticas de como descongelar os alimentos é importante respeitar para não contaminar os alimentos.

É importante respeitar o processo de descongelar os produtos alimentares através de um conjunto de boas práticas. Um alimento deve ser descongelado tendo em conta a segurança do mesmo, caso contrário as bactérias que possam estar presentes na sua superfície antes de ser congelado podem começar a multiplicar-se.

Cozinhar alimentos parcialmente descongelados, significa que as partes congeladas podem não atingir a temperatura interna desejável durante a sua confeção.

Os alimentos podem ser descongelados em:

– modo de refrigeração (colocando o alimento numa taça no frigorifico);

– no micro-ondas;

– em água fria com o alimento acondicionado numa embalagem selada ou numa taça.

Descongelar os alimentos e evitar os riscos de intoxicação alimentar é fundamental para a segurança alimentar.

Quando estiver a descongelar os alimentos, não os deixe a descongelar na bancada à temperatura ambiente. Estes pequenos e simples procedimentos ajudam a permitir que as bactérias se multipliquem, aumentando o risco de intoxicação alimentar.

Após o produto alimentar estar descongelado o mesmo não pode ser congelado novamente. Para voltar a congelar o produto, o mesmo deve ser cozinhado antes.

5 Princípios para alimentos mais seguros

De acordo com a OMS, os cinco princípios chave para se ter alimentos mais seguros são:

  1. Manter a limpeza

Seguir práticas adequadas de higiene alimentar e de higiene das mãos pode garantir que a propagação de doenças alimentares é reduzida ao mínimo. Os microrganismos nocivos que causam doenças transmitidas por alimentos são transportados nas mãos, panos de limpeza e utensílios de cozinha. Mesmo o menor contacto possível pode transferir esses organismos para os alimentos.

Você pode prevenir doenças de origem alimentar ao:

  • Garantir que as mãos são lavadas regularmente – antes e depois de manipular alimentos, durante a preparação e depois de ir à casa de banho;
  • Usar luvas, descartá-las de forma segura e usar um novo par ao manusear diferentes itens alimentares;
  • Lavar, higienizar e desinfectar todas as superfícies e equipamentos utilizados durante o ciclo do processamento dos alimentos;
  • Proteger os alimentos e as áreas de preparação dos mesmos de Pragas, como Roedores, Baratas, Moscas e outros insectos.

2. Separar alimentos crus de cozinhados

Alimentos crus, designadamente a carne, as aves e o marisco estão repletos de microrganismos perigosos (que são eliminados durante o processo de cozedura). Estes microrganismos podem ser facilmente transferidos durante a preparação dos alimentos, transporte e armazenamento, levando à infecção por uma variedade de diferentes doenças de origem alimentar.

Pode prevenir doenças de origem alimentar ao:

  • Separar carne crua, aves e mariscos de outros alimentos durante a preparação, transporte e armazenamento;
  • Usar equipamentos e utensílios separados, como facas, tábuas de corte e pratos enquanto manuseia alimentos crus;
  • Guardar os alimentos crus em recipientes hermeticamente fechados e afastados de alimentos cozinhados e itens como frutas e legumes que não precisam de ser cozinhados antes do consumo.

3. Cozinhar completamente

A maior parte dos microorganismos que causam infecções de origem alimentar são eliminados através de calor. Diversos estudos têm revelado que cozinhar os alimentos a uma temperatura de 70ºC pode ajudar a garantir que é seguro para consumo, por eliminar completamente quaisquer agentes patogénicos no produto. 70ºC é a temperatura aconselhada, uma vez que pode eliminar até mesmo as mais elevadas concentrações de microrganismos em 30 segundos. No Reino Unido, é aconselhado por profissionais de segurança alimentar que os alimentos sejam mantidos a 70ºC durante 2 minutos para reduzir as bactérias nocivas para um nível seguro.

No entanto, alimentos como grandes peças de carne requerem uma atenção especial para garantir que estão bem cozinhados.

Previna doenças de origem alimentar ao:

  • Garantir que todos os alimentos são cozinhados completamente, especialmente carnes, aves e mariscos;
  • Usar um termómetro para verificar se os alimentos atingem os 70ºC antes de servir. Para carnes e aves certifique-se de que os sucos saem claros;
  • Reaquecer alimentos cozinhados completamente antes de servir.

4. Manter os alimentos a temperaturas seguras

Métodos inadequados de conservação dos alimentos podem levar a que os produtos fiquem infectados com patogénos responsáveis pelas doenças alimentares. Os microorganismos responsáveis por causar estas doenças podem-se multiplicar muito rapidamente nos alimentos armazenados à temperatura ambiente.

Garantir que os alimentos são armazenados a temperaturas abaixo dos 5ºC e acima de 60ºC (63ºC no Reino Unido) desacelera e trava o crescimento destes microrganismos. No entanto, é importante ter em conta que alguns microorganismos perigosos podem continuar a crescer abaixo dos 5ºC.

Você pode prevenir doenças de origem alimentar ao:

  • Garantir que os alimentos cozinhados não são deixados à temperatura ambiente por mais de 2 horas;
  • Refrigerar todos os alimentos cozinhados e perecíveis, de preferência abaixo dos 5ºC;
  • Manter os alimentos cozinhados a 60ºC (63ºC no Reino Unido) ou acima antes de servir;
  • Refrigerar e guardar rapidamente as sobras alimentares;
  • Preparar alimentos em pequenas quantidades, para reduzir a quantidade de sobras;
  • Não guardar alimentos por mais de 3 dias, mesmo que estejam no frigorífico;
  • Não descongelar alimentos à temperatura ambiente, use um frigorífico ou outro local fresco.

5. Usar água e matérias-primas seguras

As matérias-primas, gelo e água podem estar contaminadas com microorganismos perigosos e químicos. Os alimentos estragados e com bolor estão também frequentemente repletos de químicos tóxicos. O mesmo se pode dizer para o solo.

Pode prevenir doenças de origem alimentar ao:

  • Zelar pela selecção cuidada das matérias-primas;
  • Lavar e descascar frutas e vegetais antes de as utilizar;
  • Garanta que o solo e a água usada não possuem químicos, caso cultive produtos;
  • Não utilizar alimentos fora do prazo de validade;
  • Optar por produtos processados de forma segura, como o leite pasteurizado;
  • Evitar utilizar alimentos que estão estragados ou a decompor-se;
  • Deitar fora latas opadas, amolgadas ou oxidadas.

Os operadores do sector alimentar são os principais responsáveis por garantir que os alimentos que disponibilizam ao consumidor estão e são seguros.

Segundo o Regulamento (CE) n. 852/2004 de 29 de Abril, relativo à higiene dos géneros alimentícios, devem criar, aplicar e manter os procedimentos de segurança alimentar baseados nos princípios de HACCP. 

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